Eles são brasileiros, mas não falam português. A língua oficial de cerca de 5 milhões de surdos no país é a Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Pela dificuldade em transitar de um alfabeto para o outro, a recomendação do Ministério Público é um passo importante para os surdos conseguirem a carteira de motorista, segundo a coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos, Gisele Monteiro Rangel.
Ela, que nasceu surda, lembra que quando quis tirar sua habilitação, há cerca de 20 anos, não conhecia nenhum surdo que dirigisse e precisou contratar um intérprete. Obteve a habilitação depois de três reprovações.
A coordenadora observou que, no Brasil, a Libras ainda é muito nova, e que por isso os surdos são obrigados a aprender o português e necessitam de um intérprete.
– Para dar esta entrevista, por exemplo, eu estou aqui acompanhada de uma – fazendo referência a Márcia Felício, que traduziu todas as perguntas e respostas.
Gisele ressalta que, apesar de existir uma lei que considera a Libras a língua oficial dos surdos e que garante a presença de intérpretes em escolas e universidades, essa obrigatoriedade não costuma ser cumprida.
A coordenadora acrescenta que os surdos, além de pagarem as aulas nos centros de condutores, também precisam de desembolsar recursos próprios para contratar um intérprete.
FONTE: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense